Apesar de todo o otimismo com a perspectiva de melhora da economia para 2020, deputados, senadores, empresários e representantes de associações e confederações afirmaram ao secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, que o Custo Brasil precisa ser atacado para garantir um ambiente de negócios mais favorável a fim de que a abertura comercial não seja arrasadora para o setor produtivo brasileiro. A reunião ocorreu na manhã de hoje (17) e foi proposta pelo vice-presidente da Câmara, deputado Marcos Pereira, a exemplo do encontro de mesmo formato realizado na semana passada com o secretário de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo.
Marcos Pereira destacou que o Brasil possui um grande potencial produtivo, porém oferece um ambiente de negócios hostil a quem empreende ou deseja empreender. Ele lembrou do seu trabalho como ministro na busca pela desburocratização. “Se o governo não atrapalhar já ajuda”, disse, e cobrou um diálogo propositivo entre os poderes Executivo e Legislativo e o setor produtivo.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Veloso, comemorou a volta do crescimento da economia e dos investimentos que, segundo ele, não ocorria desde 2013. Ele elogiou as medidas tomadas pelo governo até aqui, como o “corte de gastos, câmbio apropriado e obstinação por reformas”, mas apontou que é preciso avançar nos ajustes tributários e sua simplificação, em transparência e em desoneração de investimentos.
O deputado Newton Cardoso apontou que o Custo Brasil “está na casa do trilhão de reais” (R$ 1,5 trilhão, de acordo com a própria Sepec) e equivale a 22% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele reclamou que o País basicamente exporta comodities e que não tem conseguido agregar valor ao produto extrativista. “Precisamos criar condições para reverter essa situação e seguir exemplos de outros países”.
Todos os representantes de associações se manifestaram favoravelmente à abertura comercial, que pressupõe a redução de barreiras internas e maior inserção do Brasil no mercado internacional, porém foram unânimes quanto ao planejamento, à transparência e a clareza das ações que serão tomadas a fim de garantir previsibilidade ao setor produtivo brasileiro.


Secretário fala em reindustrialização
Carlos da Costa afirmou que o Brasil já passa por um processo de reindustrialização. O crescimento da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB), de 1%, configura-se uma “tendência” e não um “evento extraordinário”, garantiu o secretário. Ele também afirmou que as medidas que foram tomadas neste primeiro ano de governo em busca do equilíbrio fiscal fizeram com que a economia ficasse mais previsível.
Como consequência, disse Costa, houve uma “trajetória descendente de tributação sobre produção e emprego”. O secretário indica que as medidas continuarão a ser implementadas de modo a reduzir o tamanho do Estado, tornando-o mais leve e mais eficiente, e “isso vai viabilizar a redução da carga tributária que tem penalizado de maneira desproporcional a indústria”, finalizou.
Abertura comercial ainda preocupa
As reuniões realizadas com os secretários Marcos Troyjo e Carlos da Costa aconteceram, a pedido do deputado Marcos Pereira, devido à notícia de que o governo estaria estudando um corte linear na Tarifa Externa Comum (TEC). A medida reduziria as barreiras sobretudo de produtos chineses e provocaria graves avarias nas empresas instaladas no Brasil.
Na semana passada, os representantes do setor produtivo, deputados e senadores já haviam afirmado ser favoráveis à abertura (que também permite maior presença do Brasil no mercado externo), desde que seja feita de maneira gradual e concomitantemente aos ajustes internos que possibilitem uma concorrência proporcional aos principais países exportadores.
Leia aqui como foi a reunião da semana passada.
Diego Polachini – coordenador de Comunicação
